Ferramentas de IA já são usadas para pesquisar destinos, montar roteiros e comparar opções de viagem. Nas empresas do setor, a tecnologia começa a avançar também sobre tarefas de gestão, análise de dados e operação.
A inteligência artificial já faz parte do planejamento de viagem de uma parcela relevante dos brasileiros e começa a ocupar também os bastidores das empresas de turismo.
Pesquisa divulgada pela Booking.com em 2026 apontou que 63% dos brasileiros entrevistados utilizaram ferramentas de inteligência artificial no planejamento ou durante viagens em 2025. Para 2026, 80% afirmaram que pretendem recorrer à tecnologia.
Os usos ainda estão concentrados principalmente nas etapas de pesquisa e planejamento. Entre os entrevistados que utilizaram IA, 44% buscaram sugestões de atividades e restaurantes, 36% recorreram à tecnologia para tarefas de preparação da viagem e 34% a utilizaram para comparar opções ou pesquisar hospedagens.
Quando a ferramenta passa da recomendação para a decisão, porém, o cenário muda. Apenas 18% afirmaram ter utilizado inteligência artificial para efetivamente fazer reservas.
Os números mostram que a tecnologia já conquistou espaço no turismo, mas ainda funciona, na maior parte das situações, como apoio ao viajante.
Dentro das empresas do setor, o movimento é parecido. A IA começa a ser utilizada não apenas para criar textos ou sugerir roteiros, mas também para interpretar informações, consultar dados e reduzir etapas manuais da operação.
IA ganha espaço no planejamento das viagens
O avanço da inteligência artificial generativa tornou mais comum uma prática que, há poucos anos, exigia pesquisas em vários sites: descrever o tipo de viagem desejada e receber sugestões de destinos, passeios e roteiros em poucos segundos.
Hoje, um viajante pode informar quantos dias possui, em qual época pretende viajar e que tipo de experiência procura. A partir disso, ferramentas de IA conseguem sugerir destinos e organizar uma primeira versão do roteiro.
A tecnologia também vem sendo usada para comparar hospedagens, encontrar restaurantes, pesquisar atrações e organizar informações coletadas durante o planejamento.
Levantamento da Amadeus mostra que 42% dos consumidores consideram que a inteligência artificial ajuda a economizar tempo no planejamento de viagens. Outros 37% procuram a tecnologia em busca de recomendações mais personalizadas.
A facilidade, no entanto, exige cautela. A mesma pesquisa apontou que 25% dos viajantes já receberam informações desatualizadas durante o planejamento.
No turismo, um dado incorreto pode comprometer mais do que uma pesquisa. Horários de atrações, preços, regras de entrada, disponibilidade e distâncias precisam ser confirmados em fontes atualizadas antes de entrarem em um roteiro comercializado.
Tecnologia começa a chegar aos bastidores das empresas de turismo
Enquanto o viajante utiliza inteligência artificial para decidir para onde ir, as empresas do setor começam a encontrar aplicações diferentes para a mesma tecnologia.
Uma agência de excursões, por exemplo, precisa administrar informações de viagens, passageiros, pagamentos, vagas, fornecedores e roteiros. Em operações pequenas, boa parte desse trabalho ainda depende de planilhas, mensagens e conferências manuais.
É nesse cenário que a IA passa a assumir um papel mais operacional.
Uma ferramenta pode ajudar a preparar a descrição de uma nova viagem a partir de informações que já foram definidas. Também pode organizar uma proposta comercial, resumir dados de um relatório ou facilitar a busca por informações dentro de um sistema.
Em vez de substituir a gestão, a tecnologia passa a funcionar como uma camada de apoio para tarefas que consomem tempo no dia a dia.
Criação de roteiros é uma das aplicações mais imediatas
Entre as possibilidades mais conhecidas está o planejamento de roteiros.
Uma agência que esteja avaliando um novo destino pode informar cidade de origem, duração da viagem, perfil do grupo e período desejado. A IA consegue sugerir possibilidades e ajudar a organizar os primeiros passos do roteiro.
A ferramenta também pode indicar uma sequência de atividades ou levantar pontos que precisam ser pesquisados antes da montagem do pacote.
O resultado, porém, não deve ser tratado como roteiro definitivo.
Informações sobre funcionamento de atrações, deslocamentos, valores e condições dos fornecedores precisam passar pela conferência de quem organiza a viagem.
Nesse caso, a principal vantagem está em reduzir o trabalho inicial. Em vez de começar de uma página em branco, o profissional começa com uma estrutura que pode ser revisada e adaptada.
Textos de viagens e propostas também entram na lista
Outro uso comum está na criação de conteúdo.
Nem sempre quem conhece bem um destino tem facilidade para transformar todas as informações em uma descrição clara e atraente.
Uma inteligência artificial pode utilizar dados como período, roteiro e itens incluídos para produzir uma primeira versão do texto. A mesma lógica pode ser aplicada às propostas enviadas aos clientes.
Para pequenas agências e organizadores independentes, essa aplicação pode reduzir o tempo gasto com tarefas de redação repetitivas.
A revisão continua necessária. Uma ferramenta de IA pode produzir um texto convincente mesmo quando a informação utilizada está errada ou incompleta.
A responsabilidade sobre aquilo que é anunciado continua sendo da empresa que comercializa a viagem.
Análise de dados abre uma nova frente de uso
Uma das mudanças mais relevantes acontece quando a inteligência artificial deixa de trabalhar apenas com textos e passa a interpretar informações da operação.
Sistemas de gestão já conseguem reunir dados sobre vendas, pagamentos, custos, ocupação e resultado de viagens. O desafio, em muitos casos, é transformar esses números em uma leitura rápida do negócio.
Com IA integrada, o usuário pode fazer perguntas em linguagem natural.
Em vez de abrir diferentes relatórios, ele pode perguntar se existem pagamentos atrasados, qual viagem apresenta menor ocupação ou qual pacote teve melhor resultado.
A informação continua vindo dos registros da empresa. A diferença está na forma de acessá-la.
Esse tipo de uso aproxima a tecnologia da rotina de quem administra pequenas operações e nem sempre tem tempo para analisar vários indicadores separadamente.
IA começa a avançar da resposta para a execução
A próxima etapa dessa evolução envolve sistemas capazes de fazer mais do que responder perguntas.
O conceito de IA agêntica ganhou espaço no debate sobre tecnologia no turismo. Nesse modelo, a inteligência artificial consegue utilizar ferramentas e participar da execução de determinadas tarefas.
A McKinsey aponta esse movimento como uma das tendências com potencial para modificar a relação entre consumidores, empresas e serviços de viagem.
Na prática, a diferença pode ser simples.
Uma IA tradicional responde como uma viagem pode ser cadastrada. Uma IA com capacidade de ação pode reunir as informações necessárias e preparar esse cadastro.
Esse avanço também aumenta a necessidade de controles. Alterar dados, criar registros ou executar ações comerciais exige um nível de segurança diferente daquele necessário para gerar um texto.
Por isso, sistemas desse tipo tendem a combinar automação com confirmações e limites de permissão.
Confiança ainda limita decisões totalmente automatizadas
Apesar do avanço da tecnologia, os consumidores ainda demonstram resistência em entregar decisões importantes completamente para a inteligência artificial.
Na pesquisa da Booking.com, 37% dos brasileiros disseram se sentir confortáveis em deixar uma IA escolher uma hospedagem. No caso da compra de passagens aéreas, o percentual foi de 32%.
Entre aqueles que não utilizaram inteligência artificial em viagens no período pesquisado, 35% afirmaram preferir recomendações humanas.
Os dados sugerem que a tecnologia tende a dividir espaço com profissionais do setor, e não necessariamente substituí-los.
O turismo envolve decisões que podem combinar preço, preferência pessoal, logística e confiança. Em muitas situações, o viajante continua valorizando a participação de alguém que conhece o destino ou entende as particularidades daquela viagem.
Uso de dados pessoais exige atenção
A expansão da inteligência artificial dentro das empresas também levanta outra questão: quais informações estão sendo enviadas para essas ferramentas?
Agências e organizadores de viagens trabalham com dados pessoais, documentos, pagamentos e informações comerciais.
Isso torna arriscada a prática de copiar grandes volumes de dados de passageiros para qualquer ferramenta de IA sem avaliar como essas informações serão utilizadas.
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados destaca que sistemas de inteligência artificial podem envolver riscos relacionados à finalidade do tratamento, transparência, uso de dados pessoais e decisões automatizadas.
Para as empresas do setor, a recomendação prática é simples: utilizar apenas os dados necessários para cada tarefa e verificar como a ferramenta escolhida trata essas informações.
Nem toda atividade precisa de dados pessoais para ser realizada.
Uma IA que está sendo utilizada apenas para melhorar a descrição de uma viagem, por exemplo, não precisa receber informações dos passageiros.
IA integrada ao sistema reduz necessidade de copiar informações
Uma das limitações das ferramentas genéricas de inteligência artificial aparece quando a pergunta depende de dados específicos da empresa.
Uma ferramenta externa pode sugerir como analisar a ocupação de uma viagem, mas não sabe quantos passageiros estão cadastrados naquele pacote.
Também não sabe quais pagamentos estão pendentes, quanto foi recebido ou qual viagem teve o melhor resultado financeiro.
Para responder a esse tipo de pergunta, a inteligência artificial precisa ter acesso controlado às informações do sistema utilizado pela empresa.
É justamente nessa direção que algumas plataformas de turismo começam a avançar.
Avoei passa a incorporar inteligência artificial à operação
Na Avoei, a inteligência artificial foi integrada à plataforma por meio da Ava, assistente criada para trabalhar com o contexto da própria operação.
A Avoei já concentra informações de viagens, passageiros, vagas e resultado financeiro de cada pacote. A chegada da Ava permite consultar parte dessas informações utilizando linguagem natural.
Na prática, o usuário pode fazer perguntas sobre vendas, pagamentos, ocupação e desempenho das viagens sem precisar localizar manualmente cada informação.
Também é possível conversar sobre uma viagem específica. Quando a Ava é aberta dentro desse contexto, a assistente consegue considerar a viagem que já está na tela, reduzindo a necessidade de repetir informações.
O objetivo é facilitar o acesso aos dados, sem substituir os relatórios que já existem na plataforma.
Ava também pode participar do planejamento de viagens
A assistente pode ser utilizada antes mesmo de uma nova viagem estar cadastrada.
Durante a conversa, o usuário consegue desenvolver uma ideia de destino, discutir possibilidades de roteiro e reunir informações que depois poderão formar o cadastro da viagem.
Quando as ações de IA estão habilitadas, a Ava também pode preparar a criação de um rascunho.
Antes que qualquer informação seja registrada, o sistema apresenta o que será criado e solicita confirmação.
A viagem não é publicada automaticamente.
A mesma lógica vale para determinadas alterações. A assistente pode preparar mudanças em informações não financeiras, como título, descrição, datas e limite de vagas, mas apresenta o conteúdo antes da aplicação.
Preço, publicação da viagem e passageiros ficam fora desse tipo de alteração pelo chat.
A proposta é permitir que a IA reduza etapas sem assumir decisões sensíveis da operação.
Geração de conteúdo também foi integrada aos formulários
Além da assistente, a Avoei utiliza inteligência artificial na criação de textos de viagens e propostas.
Ao cadastrar uma viagem, o sistema pode utilizar informações que já foram preenchidas, como período, roteiro e itens incluídos, para sugerir uma descrição.
Caso já exista um texto, a IA também pode produzir uma nova versão a partir desse conteúdo.
A sugestão continua editável e precisa ser aplicada pelo usuário.
Nesse processo, dados financeiros, informações de clientes e anexos não são utilizados para a geração do texto.
O recurso evita que o responsável pela viagem precise copiar manualmente as informações para uma ferramenta externa apenas para preparar a descrição.
Relatórios ganham análise por inteligência artificial
Os relatórios também passaram a receber uma camada de IA.
A ferramenta utiliza os indicadores que já foram calculados pela plataforma e produz uma análise do período selecionado.
Entre os pontos apresentados estão destaques do período, situações que podem exigir atenção e possíveis próximos passos.
Depois da análise inicial, o usuário pode continuar fazendo perguntas sobre os números.
A inteligência artificial não substitui o cálculo dos relatórios nem altera os dados registrados. Sua função é ajudar na interpretação das informações que já existem.
Assistente também responde dúvidas sobre o sistema
A Ava ainda pode ser utilizada para consultar a documentação da própria Avoei.
Perguntas sobre como cadastrar informações, utilizar determinados recursos ou encontrar funções da plataforma podem ser feitas diretamente no chat.
Nesse caso, a IA funciona como uma forma alternativa de acessar o manual do sistema.
A diferença está na maneira de buscar a informação. Em vez de descobrir primeiro em qual seção da documentação está a resposta, o usuário pode começar pela tarefa que precisa realizar.
Inteligência artificial deve avançar no turismo, mas controle humano continua relevante
Os dados disponíveis indicam que a inteligência artificial deve ocupar um espaço cada vez maior na experiência dos viajantes e na operação das empresas do setor.
No curto prazo, porém, o movimento mais evidente não é a substituição completa de profissionais ou sistemas.
A tecnologia está entrando primeiro nas tarefas de pesquisa, organização, produção de conteúdo e interpretação de informações.
Para pequenas agências, organizadores de excursões e guias independentes, isso pode representar menos tempo gasto procurando dados, escrevendo textos repetitivos ou começando planejamentos do zero.
Ao mesmo tempo, quanto maior a autonomia dada à inteligência artificial, maior precisa ser o cuidado com revisão, permissões e qualidade das informações.
No turismo, velocidade ajuda. Mas um roteiro errado, uma condição comercial incorreta ou uma informação desatualizada continua tendo consequências reais.
A tendência é que a IA deixe de ser apenas uma ferramenta de geração de texto e passe a participar cada vez mais da operação.
A questão, para as empresas do setor, passa a ser menos sobre adotar ou não a inteligência artificial e mais sobre definir em quais tarefas ela realmente melhora o trabalho sem retirar o controle de quem administra o negócio.
Conheça os recursos de inteligência artificial da Avoei
A Ava foi criada para levar a inteligência artificial para dentro da rotina de quem organiza e vende viagens.
Além da assistente, a Avoei reúne recursos de IA para geração de conteúdo e análise de relatórios, mantendo o usuário no controle das ações realizadas na plataforma.
Para quem administra excursões, viagens em grupo ou passeios, a proposta é reduzir etapas manuais e facilitar o acesso às informações que já fazem parte da operação.